Como melhorar os currículos e métodos nos cursos de graduação em economia nas universidades brasileiras ?


Hoje, bem sabemos que a ciência econômica anda em crise existencial. Aceito, com resignação, esse ponto de vista crítico, considerando a surpreendente declaração dos Professores Sargent e Sim, laureados com o “Nobel” em economia : “não sabem explicar as crises financeiras que abalaram o mundo”.

Poderíamos ser simpáticos a tanta “humildade” que , coerente com a realidade da ciência econômica,  traduziria, de fato, postura dos grandes pensadores em economia que aceitam a fragilidade dos seus alicerces teóricos. Comparando a ciência econômica com a física, nós economistas, em relação à física, erramos como daqui a lua. Em resumo, aceito pacientemente que estamos em crise teórica.

Transportando esse sentimento de fraqueza ao meu quintal, fico ainda mais perplexo. Os currículos locais em economia alimentam a certeza cretina que poderíamos ser úteis fazendo boas políticas econômicas. Piada de mau gosto, como bem comprova a economia brasileira pós ditadura militar – dominada por economistas tantãs! Pra piorar, é notória a dependência intelectual: os livros textos americanos dominam os currículos brasileiros, quer diretamente ou por plágios descarados.

Completando o quadro alienante de nossos currículos, vejo consternado que a realidade estúpida bate rotineiramente a nossa porta, como demonstram os índices de desenvolvimento humano. De fato, passamos a margem dessa cruel realidade falando de modelos como se eles fossem a própria realidade e que nada de podre boiasse em nossas praias.  Isso sem falar da bagunça institucional em que vivemos, ignorada solenemente pelos cursos de finanças públicas. Pasmem, eles exaltam até a famigerada lei de responsabilidade fiscal; instrumento legal inventado pela burocracia da última hora para acobertar as marotices do endividamento público, nomeando seus culpados: os aposentados e os servidores públicos em geral. Isso tudo sem falar no falso federalismo que há décadas ou talvez séculos e quem sabe sempre nos acometeu e acomete, continuando vivo e incólume, em confusão orçamentaria insolúvel. Vivemos no mundo dos dogmas em um contexto de paralisia política. Os currículos em economia precisam urgentemente serem infestados por uma boa pitada de rebeldia, porque o debate está completamente dominado. São os economistas tupiniquins, estúpido!




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