O índice BIG MAC indica moeda brasileira valorizada. Você acredita?


O ÍNDICE BIG MAC: indica moeda brasileira valorizada. Você acredita?

O  índice Big Mac da revista The Economist é um exemplo prático da aplicação da chamada Teoria do preço único – se o produto é negociado internacionalmente, a concorrência obrigaria todos os ofertantes a praticarem o preço competitivo. Utilizando dados relativos ao sanduiche BIG MAC da McDonald’s, a revista The Economist calcula o preço  de um hambúrguer Big Mac em dólares em diversos países. A tabela abaixo contem um resumo  de dados recentes. Nos EUA, atualmente, um Big Mac custa, em média, US 4,37 dólares. No Brasil, por exemplo, custaria, ao câmbio de R$/US 2,02, cerca de US$ 5,57. Faz-se o mesmo para os demais países que compõem o índice BIG MAC. Para se encontrar o câmbio paridade, basta dividir o Big Mac no Brasil em reais pelo valor do Big Mac nos Eua, tal como a tabela abaixo indica.

Países Preço de um BIG MAC em moeda local Câmbio moeda local/US$ Preço de um Big Mac em dólar % mudanca contra o dolar Lei de preço único - cambio ajustado para Preço ünico
Estados Unidos  4,37 1  4,37
Zona do Euro 2,94 0,78  3,77 -14%  0,67
China 10,5 8,03  1,31 -70%  2,40
Japón  250 112  2,23 -49%  57,21
 Brasil  11,25 2,02  5,57 27%  2,57
Brasil ajustado 8,7875 2,02  4,35 0%  2,01
Brasil 11,25 2,57  4,38 0%  2,57

Esta tabela indica, pela exigência de câmbios diferentes ao vigente,  que a lei de um preço não se cumpre no caso dos Big Mac. Por quê? Em primeiro lugar, seria razoável imaginar que o câmbio poderia estar valorizado ou desvalorizado nos diferentes países. Por exemplo, o fato de um  Big Mac estar caro no Brasil (relativamente aos EUA)  poderia indicar que o real estaria sobrevalorizado, com um Real se compra mais dólares do que se “deveria”, o que elevaria o preço dos hamburguês, ou seja, o preço de um Big Mac nos EUA estaria demasiadamente baixo ou  o nosso demasiadamente caro. Para que a teoria do preço único funcionasse, a livre movimentação dos consumidores do Brasil para os EUA faria a arbitragem natural, equalizando-se os preços. Naturalmente, isso não é possível.

De fato, estas diferenças de preços também são devidas a outros fatores importantes. Na venda de um Big Mac temos que considerar que seu preço refletiria além dos seus ingredientes naturais – alguns não negociáveis internacionalmente – outros elementos tais como aluguéis, custo de energia e água,  estrutura tributária e encargos sociais; certamente fatores não negociados internacionalmente ou específicos a cada país. O que isso quer dizer? Não que tenhamos que reajustar o câmbio ou contar com o milagre das importações para reduzir o nível de preços de forma a fazer valer a teoria do preço único, mas sim que essas estruturas de preços são uma realidade nossa a se resolver de pronto os limites do modelo: pilhagem da privataria e pilhagem do orçamento público.

 A lei do preço único é válido apenas no caso de bens que podem ser trocados facilmente. Por quê? Quando os bens não podem ser negociados, não é possível comprar e vender de forma a se tornar factível a arbitragem.

O que de fato aprendemos com esse índice? Sobre o câmbio, pouco. Mas sobre as nossas mazelas, muito. O câmbio tem que ser neutro; ele só cumpre um papel específico se há algum elemento interno que traga rigidez aos índices de preços que não acomodariam os reflexos cambiais. É exatamente esse o nosso problema: não há espaço para que os preços se acomodem ao câmbio, principalmente para baixo, quando o câmbio estaria se valorizando. Isso advém da indexação , fruto da privataria vigente e do desequilíbrio fiscal recorrente que, para cumprir as restrição orçamentária do governo, puxa recorrentemente para cima a carga tributária. Do câmbio, só tiramos uma conclusão: ele é um indicador dos nossos desequilíbrios e da realidade global em que estamos inseridos. Para aonde estaria indo o câmbio, sinceramente não sei.



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