Adeus Chávez!


Confesso de saída que não sou um entendido em América Latina e assim aguardo análise do brilhante analista Demétrio Magnoli para fazer o devido obituário do midiático Hugo Chaves. Sinceramente, não sentirei saudades. Digo mais: não fiquei comovido com sua doença, achando mesmo que sua estultice o levou a morte – achar que em Cuba tem medicina sofisticada só pode ser coisa de tantã, porque, pela minha lupa analítica, não constatei, em aprendizado da boa malandragem,  que os comunas daqui tenham se mandado pra Cuba para se tratarem. Preferem morrer na mão dos americanos, tal como aconteceu com o nosso maestro Jobim. Claro, sua mente antiimperialista o levou a fugir da medicina sofisticada praticada pelos ianques. Só não entendi por que não se mandou para a Europa.

Sinto um vazio pela oportunidade perdida. De uma coisa ninguém pode negar. O cara era um rebelde. Infelizmente tenho que catalogá-lo como rebelde sem causa. Qualquer cretino hoje sabe que socialismo é sinônimo de escravidão, numa tentativa inútil de nos fazer todos iguais. O problema é que os intelectuais malandros do Brasil e de grande parte da América Latina não conseguem faturar com a ideologia liberal e a repelem sem o mínimo pudor intelectual. Assim, os bem-intencionados ficam sem saber o que de fato traz felicidade à nação geral. Fácil sabê-lo: liberdade de oportunidades e de escolha. O comércio tem que funcionar sem fricção. A única fricção estaria nas leis a por ordem na bagunça e violência. Instituições importam e como importam. Porém, como traduzir essa verdade inquestionável de que Instituições importam e são fundamentais para o funcionamento de uma economia fundamentada no livre-comércio?

Na busca incansável para o entendimento de nossa pobreza secular, busco comparações alhures e algures. A que me vem a cabeça é a comparação de nossas favelas com os vilarejos europeus aparentemente pobres que poderiam dar a impressão de desordem e equivocadamente nos levar a  taxá-los de favelas europeias dos idos medievais. Qual o quê. Vê-se claramente que mesmo em tempos medievais a pilhagem não se alastrava. Os miseráveis não impunham ao Estado ou pátria ou região sua desgraça doentia. Sempre houve ordem; desde os primórdios. No Brasil, sempre houve desordem, desde os primórdios (É o que dizem; não consegui comprovar).

A Venezuela tem favelas do mesmo tipo que por aqui temos. Chávez não percebeu que a força pilhadora vem de todos os lados: dos ricos e dos pobres, impregnados por uma mentalidade nefasta da casa grande & senzala. Seu erro foi achar que só uma turma roubava e pilhava  escancaradamente. Ele se foi e com ele a sua rebeldia legítima. Mas de que adiantou? O tempo dirá.




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