Chutes para o PIB:macrosturbação!


Macrosturbação: chutes para o PIB!

É de arrepiar o erro dos economistas em suas previsões para a taxa de crescimento do PIB. O IBGE divulgou a trajetória do PIB em 2012: cresceu 0,9%. O Banco Central tinha chutado um valor de cerca  de 3,5%, ou seja, quase quatro vezes ao que de fato se verificou. O ministro da Fazenda chutou 4%. Os analistas, em geral, proféticos, chegaram à cifra gordurosa de 5%. Até o mais pessimista, um banco gringo, chutou crescimento de 1,5%. É um erro brutal, tosco, desprezível ou o que mesmo? É simplesmente um erro colossal: entre 50 a 400% (1% para 1,5% ou 5%) de erro.

O que dizer dessa estultice opiniática de previsão? Em primeiro lugar, prudência e caldo de galinha sempre foram os companheiros diletos de quem bem conhece os limites da teoria econômica e foi exatamente a atitude arrogante desses economistas chutadores que se descortinou em confronto com a realidade madrasta. Em segundo lugar, revela-se a ignorância dos economistas tupiniquins a não conseguirem fazer previsões razoáveis, até mesmo para variáveis que tem por característica básica se repetir, em grande medida, no curto prazo. A bem da verdade, nunca ficamos sabendo da essência analítica desses chutadores. O que acreditamos aconteça é que se trata de modelo de gabinete, com números e regressões econométricas alimentando o imaginário dos economistas tupiniquins. Quando os modelos surgem, reparamos o óbvio: modelos de livros-texto. Para piorar, livros-texto americano. A realidade brasileira pode ser equiparada a americana, a chinesa, a chilena ou a qualquer outra que se queira considerar. As hipóteses irrealistas nunca são revisitadas! Em terceiro lugar, temos a validade ubíqua das estatísticas. O PIB deixar de incluir elementos significativos, como o desflorestamento e a qualidade do capital humano que se deteriora a olhos vistos, não seria grave. Isso tudo sem falar na desconsideração pretensiosa da valoração do lazer que é traduzida por simples preguiça. O desiderato é chocante: os modelos  macroeconômicos, em tradução teórica da realidade brasileira, se revelam de pouca valia, ao contrário do que nos querem fazer crer os analistas de plantão; o que sugere uma boa dose de crise na teoria econômica.

Fico pensando na magnitude desse erro escancarado do chute do PIB vis-à-vis outras ciências. Suponha que o médico, como um ginecologista, errasse em 300%. Certamente esperaríamos que o médico monstro fizesse a cesariana não na mãe, mas no bebê. E os físicos que mandaram o homem a lua? Naturalmente ou por falta de gravidade absoluta, os astronautas teriam ido parar em Júpiter ou até mesmo perdidos pelas galáxias ainda estariam. E os engenheiros, santo Deus? Casas e edifícios estariam caindo a rodo – o patético, em pista sugestiva ao verdadeiro modelo brasileiro, é que estamos começando a ver várias construções ruindo em repetição constrangedora.

O certo é que todos esses profissionais, ancorados em ciências consagradas e legitimadas ao longo dos séculos, pagam caro quando erram. E os economistas não deveriam igualmente pagar por suas previsões mequetrefes? Se tais previsões têm valor, certamente erros dessa magnitude deveriam levar a ruína milhões de agentes econômicos ou no mínimo imputar-lhes prejuízos significativos. Por que tal multa, igualmente aos médicos e engenheiros monstros, revelados em erros espetaculares, não se aplica aos economistas? Uma resposta simples: a macroeconomia é apenas de livros-texto, ou seja,  macrosturbação! Quem repararia numa perda que poderia ser estimada entre 20 a 200 bilhões?


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