Diagnóstico urbano pela lupa de Claudia Jaguaribe: Câncer urbano



Fico pensando se é simples fazer, para todas as cidades brasileiras,  o diagnóstico do caos urbano geral. Até mesmo a cidade maravilhosa é um enigma. Se tirarmos a natureza e escondermos as favelas e puxadinhos de todos os tipos, o que sobra? Uma cidade horrorosa. Assim, como distinguir, entre o feio e o horroroso,  o que se revela um mal impregnante que aflige a cidade e a carcome dia após dia? É simples. Basta olhar com atenção onde a desordem se espalha de forma devastadora. A falta de regra patrimonial, fruto da impunidade geral,  dá o gás explosivo para impulsionar o foguete caótico. Como sabemos, onde a ordem e a lei se impõem, existem limites para as construções. Quando puxadinhos estão presentes a torto e a direito, sabemos que o que falta é simplesmente respeito às leis e a ordem não vinga. O intrigante é que as casas bacanas nos penhascos cariocas também estão fora da lei, embora estejam esteticamente adequadas. Mas quem se importa com a desordem quando todos fazem bagunça? Eu me importo. O câncer eu noto com facilidade, embora bem saiba que o resto do corpo urbano também não esteja nada bem.

Claro, a minha solução passa pelo reconhecimento do direito de propriedade para os favelados e “paraíbas” de todos os gêneros. Se isso vai resolver integralmente o problema, não sei. Só sei que os favelados miseráveis pelo menos levarão alguma vantagem com tal medida, além de, naturalmente, estarmos lhes concedendo um direito legítimo à cidadania.

 As fotos de  Claudia Jaguaribe que acaba de lançar o livro “Entre Morros” nos mostra o Rio como de fato é. Gostei do seu trabalho, porque confirma, com muita naturalidade, o meu diagnóstico urbano. Certamente, os doentes não são os miseráveis que por aqui vivem, pois, se dos grotões vieram, é porque lá é o inferno. De onde virá a rebeldia construtiva,  se é que virá ? Sinceramente, não sei.






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