Celso Furtado e Conceição Tavares estão vivos e muito vivos.


Vejo com certa perplexidade o bater cabeças de nossos economistas gurus quando falam de crescimento. Corretamente, Rabelo de Castro fez, há algum tempo atrás, em sua coluna semanal, crítica contundente aos economistas acadêmicos e consultores: todos se guiam por livros textos americanos. De fato, o uso e abuso do modelo de Solow ou outros que endogeinizam a taxa de poupança estão, de fato, desconectados da realidade brasileira. Falam de uma economia que poderia ser qualquer uma outra, como se depreende ao se tomar de cabo a rabo o livro de economistas renomados recém lançado: Desenvolvimento econômico: uma perspectiva brasileira. Mas o Brasil de hoje é  invenção de tecnocratas   como Simonsen, Reis Veloso, Roberto Campos, Bulhões e Delfim Neto que se perpetuaram com a geração de economistas que os seguiram – Bacha, Pérsio Arida, Lara Rezende e outros. Todos esses não conseguiram entender o alcance destrutivo do modelo de substituição de importação, levado ao paroxismo extremo com Geisel,  Simonsen e Reis Veloso.  Para completar a gravidade do modelo, sucumbiram com as finanças públicas, em endividamento tantã que traz a marca da perenidade. São esses dois fenômenos que explicam o consistente caminhar pra baixo da economia brasileira.

Esse modelo de substituição de importações foi uma invenção destrutiva da turma cepalina, com destaque “intelectual“ para Celso Furtado e Maria da Conceição Tavares, amiguinhos da FIESP. Claro, o pano de fundo político para o desvio completo de uma economia de mercado que vigorou no Brasil até Juscelino (o período do Jango é de crise contínua) foi a ditadura militar, cujo desideratum é, hoje,  fácil de se constatar: a derrubada do ordenamento jurídico, espelhado na Constituição de 1946, abrindo espaço para que grupos econômicos dominassem o poder político, usando-o para manter privilégios, afastando a economia brasileira do mundo moderno e desenvolvido, pelo fechamento da economia. Cenário propício para que as teses cepalinas de substituição de importações florescessem. Era preciso uma ditatura para romper os controles institucionais a por em andamento forçoso o modelo de substituição de importação; tais controles limitaram o alcance das políticas de JK que já antecipara o padrão econômico da ditatura militar. Essa estratégia “modernizante e concentradora”, iniciada com JK,  está se  perpetuando com a ajuda  da turma da nova republica; os udenistas e esquerdistas de todos os matizes corruptos e lenientes.

Mas qual é o ponto crítico com o modelo de substituição de importação?  É que ele não substitui nada! Pior do que isso. Destrói todo o esforço local para a criação de industrias inovativas. O modelo de substituição de importação está ancorado em pactos cartoriais que, pelo fechamento da economia à competição externa, permite que as multinacionais possam empregar estratégias lucrativas sem que haja um engajamento de toda a economia em processos competitivos e inovativos. O mercado para cada indústria está fatiado, com privilégios para os mentores e tutores dos cartórios através de empresas satélites ou concessionárias escolhidas a dedo e que se subordinam aos interesses alhures. Tais privilégios garantem que, de tempo em tempo, quase todas as industrias possam renovar suas máquinas e equipamentos, através de subsídios de todas as ordens. O resultado é que a economia se conforma a setores que pouca sinergia trazem ao sistema como um todo. Dispensa-se o esforço legitimo da inovação, porque tudo é facilitado aos cartórios empresariais. Fecha-se o país aos interesses desses grupos, privando os consumidores e pequenos empresários e até mesmo os grandes de usufruírem de produtos de melhor qualidade e preços baixos, isolando-nos de uma cadeia de conhecimento e informações que tais produtos engendram.  O resultado final? É que tudo por aqui fica mais caro para quem não participa da festa de privilégios – evidentemente não dá para todos! E é este ficar mais caro que põe a economia competitiva no rumo da falência inventada e do encolhimento do capital. Fora do esquema das multinacionais, pouco de inovativos e competitivo sobra.

O tempo mostrou que a desordem dos burocratas só traz um crescente emaranhado de leis, na tentativa de salvaguardar o modelo modernizante. O custo social desse modelo é infinitamente superior aos benefícios privados. A solução é simples: abertura da economia, com política uniforme de impostos sobre importações: 10% que seria suficiente para atender as demandas de infraestrutura para as importações e exportações. Simples assim. Obviamente, muitas empresas irão falir e certamente muitas outras irão surgir. O resultado líquido será positivo. Que venham as contas. Se de tudo tiverem medo, ataquemos inicialmente nosso maior vilão: as empresas automobilísticas que ainda continuam a produzir carroças a preços extorsivos.





Comentários

  1. o que eh um cartorio!! Desculpe, mas estou sem o meu teclado configurado para o portugues. Acho que a acepcao que voce a usa eh diferente do sentido mais comum da palavra. Gostei do texto!!!

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