“Emprego em alta freia PIB “ : Que coisa, meu Deus!


Não há como começar esse post, em reflexão elementar sobre a máxima carnavalesca acima,  sem uma expressão vernácula de espanto: que coisa, meu Deus! Emprego em alta freia PIB é o fim do mundo! Claro, tamanha insensatez  só pode refletir intenções outras, fáceis de perceber. Pancada no povão, porque ele é em tudo um estorvo.

Querem os midiáticos em economia fazer crer que empresário é louco e iria contratar trabalhador, pagando salário acima da sua produtividade. De fato, neste país amalucado, deve ter um bando de empresários tantãs que teimam em produzir generosamente, porque o lucro não deve servir como referência natural para a gestão empresarial. Evidentemente, tal lógica é válida plenamente para todos os  empresários, estejam ou não submetidos às forças competitivas. Se houver posição não concorrencial, os salários evidentemente deverão ser corrigidos pelo “mark up” para alcançarem a produtividade. Assim, querem nos fazer crer que restrições orçamentárias não funcionam e ineficientes podem fazer parte do time produtivo. Diria ainda que , como se o que fosse bom, da noite pro dia, se tornasse ruim. Isso sem falar nas dificuldades normais para a mensuração correta das variáveis macroeconômicas e como cegos e tontos tivéssemos que aceita-las sem críticas, mesmo sabendo que o nosso padrão estatístico tem classificação “C”.  Em resumo, só um “gênio” poderia achar que empresário iria contratar alguém para derrubar seu negócio.

O assustador é que, nem bem ficamos sabendo do desempenho mequetrefe do PIB,  já vêm uns e outros falando em pleno emprego, sem que a fotografia das cidades brasileiras não retratassem a confusão geral. Certamente o capital humano, pelas bobagens que presenciamos a torto e a direito, foi pro beleléu e está difícil encontrar mão-de-obra minimamente qualificada. Esse , sim, é o problema insanável do Brasil!

Nessa linha de distorções dos fatos, voltam os analistas de sempre a associarem inflação com aumento salarial, confundindo causa e efeito. Inflação tem que ver com moeda e,  numa economia aberta, o câmbio pode ter efeito sobre os preços de forma continuada, em virtude de eventos próprios fora do controle governamental de um país apenas.

Naturalmente, do pouco a se decifrar desse besteirol que nos apresentam, o dilema de política retratado pela curva de Phillips aparece: existe, no curto prazo,  um dilema entre inflação e emprego. Relevante para o caso brasileiro, no entanto, é saber se a taxa natural de desemprego está diminuindo ou se o produto potencial está mais baixo. A taxa natural de desemprego tem relação estrita com mudanças importantes no mercado de trabalho, com o grau de competitividade da economia e com a produtividade global do país. Difícil saber em que grau quais desses elementos estariam atuando decisivamente para a mudança da taxa natural de desemprego. Paradoxalmente, esses fatores, funcionando na direção esperada, estariam a reivindicar um aumento na taxa de desemprego natural. De coerente, é que, por aqui, tudo aparenta ser estranho!

O que esse besteirol todo sobre salário e emprego pode refletir é uma inflação, de fato,  muito maior do que a oficial. Se seguirmos outros índices de preço e a forma escancarada como o governo defasa oportunisticamente os aumentos de preços, poderemos notar que a turma está apenas se protegendo. Evidentemente, sem levar em conta a natureza perversa do modelo casa grande & senzala, crédito “fácil” e déficit fiscal são os vilões de sempre. O Problema grave é que tudo isso rebate na dívida pública e disso ninguém quer falar. Vão preferir fazer reformas trabalhistas para anularem de vez o pacto trabalhista firmado na ditadura militar que, como poucos sabem, já nos tiraram muito. Só ficou faltando colocarem a previdência na roda. Certamente, a manchete em breve. Para fechar o assunto, está coerente a relação negativa entre a variação salarial e a taxa de desemprego. Se, com a taxa de desemprego observada, o crescimento anual do salário real não se alinhar com a produtividade do trabalho é porque algo estranho há de ser trazido à baila. Jamais partir pra cima do elo fraco como se a verdade dos modelos dos economistas pudesse autorizá-los a pregar demissão como remédio. Isso é tudo que queremos evitar e quando o dilema se apresenta insolúvel o esforço é para que o ajuste seja o mais rápido o possível e que o cinturão da seguridade social funcione satisfatoriamente. Minha conclusão é que de Adam Smith só leram ( e mal e porcamente) a Riqueza das Nações e deixaram de lado, propositalmente ou por ignorância reles,  a Teoria dos Sentimentos Morais. 



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