A Desindustrialização: verdade óbvia!


A resposta à questão da desindustrialização é bastante óbvia, porque está em marcha forçada, ladeira abaixo, como se vê nas ruas. Para ser preciso, a industrialização verdadeira nunca existiu por aqui. Antes de JK, tínhamos alguma tradição industrial, obtida mais pelo acaso do que por trajetória coerente de decisões racionais ancoradas no mercado, embora tentativas reincidentes de aquartelarem a indústria tupiniquim em protecionismo descarado constassem da oratória tanto da esquerda como da direita. Ambas tantãs. Mas o ovo da serpente veio com JK. A tal da industrialização induzida pelo governo, mas imiscuída com o setor privado nacional em favores abjetos. Em tudo falso, inclusive o mentor. Falso como político, principalmente. Urdiu todas as tramoias; inventando até o General sem pescoço que, além de ter visão míope sobre crescimento, se assemelhava mais ao pai do jovem ditador coreano amante da Apple do que aos velhos coronéis da América Latina. O modelo que JK implantou foi exatamente o de criar empresários inúteis, mas com vasto poder predatório. Basta lembrar que foi ele, JK, o inventor de empreiteiros na política, em ensaio barroco do mensalão. A chamada esquerda brasileira já tinha encontrado o caminho do poder: apoio a industrialização, encontrando na turma da Cepal o anteparo técnico a escamotear a ideologia dos leopardos. Foi nisso que se transformou a politica de substituição de importações: um cartório, dependente das multinacionais em que a indústria automobilística se tornaria o pêndulo da política econômica. Aqui, não temos industriais legítimos , são apenas simples rentistas. Para piorar, não há o mínimo de sinergia nos negócios corriqueiros que só poderia surgir se as oportunidades de negócios não estivessem bloqueadas, quer pelo isolamento comercial, quer pela concentração de renda e poder que inibem o avanço dos pequenos empresários.

A trajetória do modelo JK teve algumas inflexões, não para revertê-lo, mas para aprofundá-lo além do imaginável. Veio a ditadura militar e colocou o pé no acelerador da estatização e de todo tipo de benefícios aos industriais paulistas; os verdadeiros donos do poder. Tivemos, com a ditadura militar,  a pior de todas as práticas de política econômica, em que Delfim e Simonsen seriam os embusteiros-mores em matéria de política econômica: controle de preços, câmbio fixo, política salarial, favorecimento descomunais a certos setores industriais, endividamento público interno e externo e inflação com todo tipo de velocidade e aceleração, aprisionamento da Petrobrás e tantos outros absurdos ainda não catalogados. Entretanto, o feito principal da ditadura militar atendeu plenamente ao modelo JK: o desordenamento jurídico, abrindo em definitivo a porta para o arbítrio, jogando-se no lixo a Constituição de 1946 que, por mais que a critiquem, manteve o país dentro dos limites do tolerável; até JK se ressentiu de sua força jurídica e institucional. Com a falência do modelo estatizante dos milicos, veio a nova republica que tratou de se apoderar da infraestrutura construída com suor, dívida e inflação, concentrando-se a renda em níveis africanos. Como a transição intentada pelos políticos do nível moral e ético dos Autênticos do MDB fracassou – não em sua missão fundamental que foi a derrubada do regime – os políticos do verniz dos que hoje aí estão rapidamente se apoderaram do sistema político, encurralando-nos. Evidentemente, os donos do poder acharam ótimo sustentar em mensalões que se repetem rotineiramente os políticos de hoje, reencarnando os de ontem – canalhas em tudo – mas essencialmente diferentes. Já não há mais o limite da lei que, em países desenvolvidos, impõe o tal do check and balance. O Executivo, agora, é o senhor de tudo. Essa é , de fato, a herança dos milicos golpistas. Evidentemente, o modelo inventado pós-Getúlio pode facilmente, agora,  ser resumido como o de caçador de rendas – prefiro chama-lo de pilhagem – que se esgota em crises sucessivas.

O fato óbvio é que o nível geral de preços reflete todas as distorções que esse modelo pilhador engendra. Tudo aqui é muito caro. Esse é o ponto da desindustrialização. As industrias locais já vem a muito se transformando radicalmente, em estatísticas difíceis de detectar, mas fáceis em sabê-las. Basta olhar a etiqueta dos produtos que registram o contrabando: passam como nacionais. De fato, inúmeras industrias passaram , em número ainda não estimado corretamente, a se comportarem como verdadeiros vendedores, inchando o setor de serviços, em competição claramente desleal. Tratam de importar o produto praticamente acabado – apenas a etiqueta made in brazil é feita aqui. É óbvio que ,com o preço do produto em níveis malucos e com todas as distorções já manjadas, essa é a melhor saída para os industriais gigolôs. Mas continuamos, o povo otário e indolente, bem como os pequenos comerciantes, perdendo e muito. O diferencial de preço entre o que se importa barato e o preço que se vende internamente fica com os malandros.

A saída é aquela que o economista da FGV, Pedro Cavalcanti Ferreira, disse em sua reportagem no O Globo de domingo passado. O problema é que ele não entende o modelo pilhador e assim não percebe que o problema central é político. Tudo que se fizer, não levará ao desmonte dos privilégios. Apenas tomarão nova roupagem os bonecos da mudança. A questão fundamental, como o Alckmin em entrevista recente sugeriu,  é como mandar para a guilhotina esta turma de canalhas que comanda a política brasileira.

O modelo está em crise. Mas, como sempre, acharão a solução em que tudo muda para que nada mude. Assim, o cuidado fundamental que devemos tomar é o de  identificar o próximo Leopardo que certamente surgirá no horizonte da política corrupta, montada tijolo a tijolo pela ditadura militar e patrocinada pelos ícones da esquerda brasileira. Não quero ser enganado mais uma vez. Prefiro o tudo ou nada!


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