"Carros feitos no Brasil são mortais"


O jornal americano The New York Times publicou em sua reportagem da agência Associated Press: "Carros feitos no Brasil são mortais" (aqui).

A reportagem afirma que:
a)   os veículos produzidos no País são feitos com soldas mais fracas, poucos itens de segurança e materiais de qualidade bem inferior aos dos fabricados nos Estados Unidos e na Europa

;
b) quando esses veículos vão para as ruas, a tragédia nacional se concretiza, justificando-se, plenamente, 
a alta taxa de mortalidade no trânsito no Brasil que  seria quatro vezes superior à americana;
c)      de cada cinco carros analisados no País, quatro não passariam em testes de colisão feitos por empresas independentes.
 Atribuir o número de mortes de motoristas e passageiros às más condições de estradas ou a outros fatores é negligenciar o padrão de segura que, de fato, temos;
d)   nos Estados Unidos, a margem de lucro para as montadoras automotivas é de 3% e , no Brasil, seria de 10%.  A diferença, certamente, viria não só das políticas públicas  amalucadas de incentivo ao consumo exagerado e do fechamento da economia, mas também da redução nos custos, decorrente da estratégia de se empregar insumos mequetrefes na produção de carros; e 
e) da última década para esta, subiu em 72% o volume de mortes no trânsito do Brasil. O artigo relaciona esse dado ao boom da classe média brasileira que explicaria o boom nas vendas de automóveis.

Não se pode negar que o setor automobilistico tem impacto na dinâmica da economia brasileira. Desde JK até o presente momento, o impacto é amplamente negativo. Se, contando apenas o esquema protecionista que faz duplicar o preço do carro nacional, já constatávamos a ineficiência do setor automobilístico brasileiro (veja aqui), agora, em descoberta da mutreta empresarial das multinacionais do setor automobilístico, podemos multiplicar novamente por dois os prejuízos à sociedade – não pelas mortes dos brasileiros em que a conta seria infinitamente maior, mas pela incorporação de insumos vagabundos ao processo produtivo brasileiro, reduzindo-se em muito, num esquema tipicamente canalha, os custos de produção.  Essa é a razão pela qual não podemos nos integrar às cadeias produtivas globais. Lá a competição e a seriedade valem, gerando produtos com preços de mercado e produtos de boa qualidade. Aqui, não apenas os produtos são porcarias. O povo também!



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