O Impasse : entrevista com Marco Antônio Campos Martins sobre a crise de petróleo na década de 70 e o ajuste brasileiro.



Em 13 de outubro de 2016 eu e o professor José de Lima Acioli (Ph.D., Univ. Chicago) entrevistamos o economista Marco Antonio Campos Martins (Ph.D, Univ. Chicago) a respeito do seu ensaio "Impasse - O Brasil na Crise do Petroleo - I/II", apresentado no IPEA / Ministério do Planejamento em agosto e outubro de 1980. O trabalho é uma crítica à política econômica conduzida pelo Gov. Geisel durante a crise do petróleo. Na época o professor Acioli era um dos gestores do Próalcool, ao lado do físico José Walter Bautista Vidal. 

Quando escreveu o ensaio, Marco Martins pensava que o principal objetivo do Gov. Geisel era manter elevado o nível da atividade econômica interna. Pouco tempo depois, com mais informações, percebeu que estava completamente errado e que o principal objetivo do Gov. Geisel na área do petróleo era a instalação da indústria petroquímica no Brasil, a qualquer custo. Lembre-se que na crise os preços da nafta foram multiplicados por 10, o que inviabilizou a instalação de novas empresas petroquímicas e provocou a falência de muitas delas no mundo todo. Foi, portanto, nesse cenário que o Gov. Geisel ocupou a Petrobrás para obrigá-la a vender nafta para empresas petroquímicas, quaisquer que fossem os prejuizos causados à Petrobras, aos cofres públicos e à economia brasileira. A ocupação foi feita pela mudança das regras que controlavam a formação de preços dos derivados do petróleo.  Até 30 de dezembro de 1977 essa formação era regulada pelo DL-61/66, que garantia a rentabilidade normal da Petrobras. A partir de então passou a ser regida pelo DL-1599/77 que deu ao Gov. Geisel poderes para ditar a política de preços dos derivados a seu bel-prazer e de acordo com os interesses da petroquímica. 

Num mundo que economizava petróleo dramaticamente, a Petrobras foi obrigada a aumentar suas importações! Nafta foi vendida no mercado interno por 10% dos preços internacioais e a Petrobras se endividou em bola de neve. Não conheço nenhum estudo acadêmico focalizando as ligações entre o Gov. Geisel e a petroquímica. Mas durante a CPI sobre o Polo Petroquímico de Camaçarí, coberta extensivamente pelo jornal O Estado de Sao Paulo, o Deputado João Cunha do MDB-SP denunciou que o Presidente Ernesto Geisel havia recebido 200.000 ações de uma das empresas petroquímicas beneficiadas pelo seu governo. Estou procurando informações adicionais para uma outra postagem. Segundo Marco Martins, a entrevista dele está incompleta, existe uma segunda parte a qual, provavelmente, o prof. Acioli se esqueceu de me entregar e eu me esqueci de conferir. "Impasse - Parte I e Parte II" podem ser encontrados no seguinte endereço eletrônico: http://www.aeconomiadobrasil.com.br/artigo.php?artigos=4



Comentários

Postagens mais visitadas