O que não é ficar velho ?! você fica por fora mesmo.


O que considero mais triste é o apreço exagerado por modelos econômicos consagrados e provavelmente úteis, se bem usados. Antes de tudo, ressalto: o pensamento cientifico ou mesmo o intelectual  não podem prescindir de um modelo. Mas daí a achar que o seu modelo é o certo e o único vai uma distância muito grande. Pior ainda. Quando envelhecemos, reconheço como um velho jovem, fica difícil saber o que de novo há no mercado acadêmico. Ficamos presos às nossas convicções cristalizadas.

Vejo, com certa tristeza, o depoimento que coloco no post, em resgate do youtube, totalmente por fora. O economista do Real (os inventores do Real bem sabemos que são o Lara Resende e o Pérsio Arida) está amarrado a dois equívocos. O primeiro é sobre a teoria do comércio internacional. Ele acredita piamente na teoria ricardiana do comércio entre as nacões. Acho que faltou a aula do Krugman sobre comércio internacional. O economista do Real não percebeu que a pauta de importação e exportação dos países "desenvolvidos" são semelhantes, fazendo certa a afirmativa de que existe, com certeza, uma cadeia global de produção. O ponto X (longe do X do empresário brasileiro trambiqueiro que está falindo) é que, para entrar nessa cadeia, a turma tem que ser semelhante, ou seja, a turma tem que ser desenvolvida. Burro não pode participar dessa cadeia global. E isso o leva ao segundo equívoco: não compreende o desdobramento do modelo de substituição de importação cepalino - modelo excludente e que depende de restrições às importações e subsídios de toda ordem, gerando incentivos para que a pilhagem se concretize. O modelo de substituição de importação parte do pressuposto de que a indústria será criada no peito e na raça, contando com o apoio estratégico do governo. Como, sob o jugo empresarial sem vocação para o trabalho duro, não temos coerência de política econômica, o orçamento público tem que se revelar caótico, acomodando todo o tipo de pacto privado em que o povo brasileiro não participa. Naturalmente, o modelo de substituição de importação é autofágico: requer sempre alguma forma de proteção ou subsídio e uma dose forte de arbitrariedade política. O resultado  prático desse modelo de substituição de importações é fácil de ver: multinacionais protegidas e suas quinquilharias. O limite da incoerência se aproxima a cada dia, gerando impasses que não se solucionam neste contexto político perverso que herdamos da ditadura militar.

O engraçado é que o economista do Real prega a possibilidade de que o pobre possa comprar no exterior, deixando a indústria tupiniquim pra lá. Só não entendi a quem ele quer ajudar para renovar a indústria brasileira. Ele, que foi para o BNDES na época do Plano Real, ajustando os negócios que não se encaixaram  à URV, quando da virada inflacionaria, certamente irá encontrar os perdedores que podem se recuperar, mesmo que não contem com a proteção tarifaria. Mas, quanto aos subsídios, não tenho dúvidas, virão aos borbotões. Naturalmente, tal pérola não apareceu em seu discurso. Porém, quando ele estiver a postos na burocracia oficial, veremos como o jogo será jogado.










http://youtu.be/bPgndagnai4

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