Informações privilegiadas: bastam dois segundos!


Deu no jornal  O Globo que a Thomson Reuters suspendeu a divulgação antecipada de dados de consumidores dos EUA. A empresa divulgava esses dados para clientes ‘especiais’  dois segundos antes dos outros clientes, mediante recebimento de taxa mensal de US$ 6 mil. Eram dados sobre um índice de confiança do consumidor – mede o grau de otimismo que os consumidores nutrem sobre o estado geral da economia e sua situação financeira pessoal. Esse índice é construído pela Universidade de Michigan. O detalhe importante é que essa instituição universitária tem um acordo com a Reuters, a empresa de notícias e informações,  que permite a ela, a Reuters,  antecipar àquele pequeno grupo de clientes o recebimento, com antecedência de dois segundos,  desses dados de confiança do consumidor americano. Com certeza, tempo suficiente para que os computadores de grandes bancos procedam arbitragens e reposicionamento de portfolios significativos. Os lucros , naturalmente, mais do que compensam o pagamento de taxas pelos “experts” (malandros engravatados) à Reuters e, em cadeia,  à Universidade americana. 

A turma legalista americana, empenhada para que a concorrência ubiquamente prevaleça, está enquadrando os malandros financistas. A confusão está formada e o Juiz americano vai bater o martelo, de olho no cumprimento das leis que estimulam o ambiente competitivo. Todo economista minimamente racional sabe que não se pode bater o mercado. É preciso ter informações privilegiadas ou ser um analista de primeira – coisa impossível de se saber, porque o estímulo para que o bacana se apresente como tal é nihil.  

Mas, aqui no Brasil, fico em dúvida sobre a bagunça informativa, principalmente a que vem do Banco Central. Vimos recentemente como muitos analistas ficaram desesperados quando o BACEN deu pinta de ter mudado o modelo que prevaleceu na era Meirelles. Dada a ignorância generalizada nessa terrinha de pilhadores, creio que segundos não importam. Eles, os malandros, uns fominhas, querem mesmo é o modelo do BACEN. De qualquer sorte, o questionamento também vale para a turma de privilegiados do BACEN , os formuladores de atas e o escambau. A curiosidade é se eles, os bacanas tupiniquins, ficam sabendo um dia antes, uma hora antes ou 1 minuto antes. Segundos, certamente não dispomos de tecnologia para tal.

Confira a Reportagem:

URL: http://glo.bo/1a8T7k5



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