Na Alemanha, lugar de turista é no hotel

O Jornal O Globo publicou matéria sobre o mercado imobiliário alemão, estampando o título: Na Alemanha, lugar de turista é no hotel, aqui. A razão pura e simples, nos termos da reportagem, seria a seguinte :”Para combater aumento de preços de aluguéis, prefeitura de Berlim proíbe proprietários de colocar imóveis à disposição de visitantes estrangeiros por curtos períodos. ...Depois que o fluxo de turistas para a capital alemã explodiu nos últimos anos,  com cerca de 12 milhões de visitantes por ano, os nativos começaram a ver os forasteiros como uma ameaça. E a prefeitura de Berlim adotou uma posição oficial: a partir do próximo ano, os proprietários de casas e apartamentos ficarão proibidos de alugar os seus imóveis a turistas. O critério para diferenciar turistas de residentes é o de “aluguel por pouco tempo”, que será́ proibido.

A medida, que teria em vista proteger os berlinenses do encarecimento dos aluguéis, de 20% nos últimos três anos, em consequência da concorrência com os turistas pelos mesmos imóveis tem causado muitas reações negativas.... Além da proibição do aluguel para turistas, a nova lei vai proibir também que casas e apartamentos sejam transformados em escritórios ou consultórios. Só os imóveis construídos com licença da prefeitura para uso comercial poderão ser usados para esse fim.

Os aluguéis em Berlim já são muito mais baixos do que em Londres ou em Paris, mas o aumento dos últimos anos é considerado demais para 85% da população da cidade de 3,4 milhões de habitantes, que vivem em imóveis alugados.

Milhares de imóveis foram adaptados para os “inquilinos de pouco tempo”. São apartamentos funcionais, de aluguel mais caro do que para os berlinenses, mas muito mais barato do que as diárias nos hotéis. Mais de 15.000 prédios já́ funcionam como hospedagem de turistas, o que vem despertando uma reação negativa por parte dos residentes.

Em alguns bairros, como Kreuzberg e NeuKölln, que antigamente eram proletários, de subcultura, mas que começaram a ficar caros depois de descobertos pelos turistas e artistas vindos de fora, começaram a se formar associações que tem como único objetivo o combate ao turismo. A Hipsta Antifa (de antifascista) Neukölln foi uma das primeiras a exigir a proibição de aluguel de imóveis residenciais para turistas, o que a administração do prefeito Klaus Wowereit decidiu na semana passada.”

Você poderia perguntar se o capitalismo estaria sendo travado na Alemanha, em função dessa medida. Responderia, independentemente de considerações sobre a preferência de herança ou outras, simplesmente que não. O fato óbvio é que, por decisão política, existem certas atividades que são retiradas do mercado. Claramente, neste caso, poucos alemães ficarão prejudicados. O que se evitará será um superlucro para um grupo minoritário de alemães que detêm a propriedade desses imóveis, em detrimento de uma ampla maioria. Além disso, existem razões de ordem prática para que os berlinenses queiram evitar essa avalanche de turistas. Estariam diminuindo, com sujeira e barulho, o seu bem estar. Portanto, o lucro extra dos poucos proprietários desses imóveis não compensaria o correspondente prejuízo social. Os alemães certamente estão agindo de forma eficiente.


O mesmo se deu em relação ao sistema de saúde e educação. Comparando vis-à-vis o sistema de saúde alemão com o americano, constata-se que o gasto per capita americano é maior do que o alemão. A razão é simples: os americanos carregam o ônus das rendas extras dos médicos e do sistema hospitalar. O capitalismo tem limites e a Alemanha certamente continuará sendo dos alemães, tanto quanto a américa é dos americanos. A diferença estaria na distribuição de renda. Os berlinenses ainda estariam mantendo o seu elevado padrão de vida. E o engraçado, botando na balança,  é que são os americanos a lidarem com o problema gravíssimo da obesidade mórbida.


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