Guido Mantega e Alexandre Schwartsman: irmãos siameses ou Rômulo e Reno?

No Brasil cada um tem seu time pra torcer. Eu mesmo sou flamengo. Mas como todos sabem, flamengo é time do povo, povinho, povão. Já o da elite seria o do São Paulo, talvez o do parque São Jorge e outros maiorais. O que importa é jogar pra ganhar e assim viva o time da elite. O problema é que a torcida elitista é cobra criada e portanto a grande maioria tem mesmo é que ficar na arquibancada entoando seu canto de guerra: juiz filho ......

Deixando as firulas de lado, vamos ao ponto. Saiu nos jornais a seguinte notícia: “ O secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Seneri Paludo, afirmou nesta quinta, dia 7, que o embargo da Rússia à importação de produtos de países que impuseram sanções ao país em razão da crise na Ucrânia pode abrir portas para uma "revolução" nas exportações brasileiras de carne e grãos (milho e soja).
”

O que teremos como efeito dessa brincadeira russa? Um aumento esperado nos preços dos alimentos, mas aí com estímulo à produção agrícola. Aqueles setores que sofrerão o impacto dos preços majorados certamente terão uma redução na demanda de seus produtos, já que bem sabemos que por aqui o pleno emprego da pobreza nos ronda. Portanto, o efeito na produção no curto prazo pode ser nulo e os preços darão pinta de subirem. As exportações brasileiras sem duvida ainda precisariam de uma turbinada do BNDES, acomodando, talvez, alguma turma que estaria no prejuízo. O que nos diria o Mantega e seus asseclas : a vaca vai subir. Em conselho paternal, dirão: comam as galinhas ou talvez as piranhas, para quem não é chegado à carne. O PIB, em previsão de cartomante, irá crescer e o aumento dos preços será inevitável, embora temporário. Diriam eles, os entendidos.

Preparado o pernil na caldeira fiscal, vamos cozinhá-lo na panela monetária do targeting inflation: aumente-se os juros. Já não importa se o aumento é temporário. O que importa é que as expectativas futuras sobre o nível de preços e sobre a pressão de demanda exigem um ajuste. Aumento de preços já virou por aqui inflação faz tempo. O remédio ninguém discute mais: juros altos. Ficará tudo como dantes na terra dos Amarantes. Uma turma terá garantida renda agrícola e outra turma, a dos rentistas, renda financeira. Tudo em nome dos ajustes que a economia merece ter. Se o aumento dos juros demorar a sair, um dos irmãos berrará mirando lá na torre de Babel do BNDES. Bem sabemos que tal qual Rômulo e Reno, filhos da mesma loba, os são paulinos e corintianos vivem às turras. Cada lado tem que levar o que é seu.


Os intrigantes, como eu mesmo, ficariam pensando como agiriam os homens de negócio nesse rolo político que o Obama e sua turma poderosa estão urdindo contra a turma do Putin. Ninguém quer perder. Os russos não querem pagar um preço mais caro e nem os americanos, junto com a galera inflamada do euro, querem ficar a ver navios , partindo sem suas cargas e retornando sem a dos russos. Não podem contar o que farão, mas certamente a única saída é a liberação das restrições do mercado chinês ou brasileiro para importarem carne americana e europeia. Solução óbvia que dispensa novos ou velhos keynesianos. Essa solução é chamada de "solução de mercado"! Os chineses continuariam comendo sua carne, mas agora made in USA, e exportariam as suas bem a seu gosto: made in China. Mas por aqui só ficaremos sabendo do aumento do preço da vaca, mitigado, talvez, pelo das galinhas. Os juros ficarão nas alturas. Claro, precisamos combinar com os russos se podemos vender suas quinquilharias tecnológicas por tabela aos americanos. Para os chineses, isso não seria problema. Já para os brazucas, vai saber.





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