UN LÍDER POLÍTICO HABLANDO DE LO QUE HAY QUE HABLAR

Interessante questionamento do Mujica. Fala de um modelo capitalista impiedoso. Fala de uma globalização que se exitosa engoliria o planeta. Não vejo em seu discurso nada de esquerda. Pelo contrário. Diria: plenamente de direita. É difícil pensar nos problemas que nos rodeiam por toda uma vida sem nos despir de nossos binóculos locais. Mas é essencial que se evite o etnocentrismo lógico.  Creio, foi o binóculo latino que permeou o raciocínio do Mujica. Em essência ele questiona o modelo de consumo, mirando o que acontece nos países subdesenvolvidos. Pergunta o que seria do planeta se os hindus tivessem um padrão de consumo semelhante ao dos alemães. Fala do seu país que detém um rebanho em quantidade três vezes maior do que a sua população. Fala ainda que em seu país houve redução de horas trabalhadas, mas que os cidadãos uruguaios estão trabalhando mais, porque acham nessa jornada dupla uma forma de ganharem mais dinheiro para poderem ter um nível maior de consumo. Questiona por um outro modelo em que o consumo não seria sua referencia e faz crer que existe outro modelo. Neste particular é que discordo do Mujica. O modelo capitalista dará conta de revertermos os abusos ambientais. O que falta destacar é que a Alemanha e outros países desenvolvidos só conseguiram seu padrão de consumo elevado, porque o capitalismo ali está ancorado em instituições fortes em que se ponderam os custos e benefícios sociais de forma dramática e eficiente. A solidariedade tem que brotar no seio da sociedade. Se não for de forma voluntária, será pelas leis e regras amplamente difundidas e preservadas por uma cultura lapidada. Certamente não faria diferença para os alemães se sua população fosse idêntica a dos hindus. Manteria seu padrão de consumo sem esgotar o planeta. Por quê? Porque as regras institucionais colocariam os freios para o esgotamento dos recursos naturais.  Esquece o Mujica de verificar que a produção alemã não é só para os alemães. É para o planeta todo. Sua exportação é significativa.  Esquece o Mujica de perceber que suas vacas uruguaias são fonte de poluição e que traz consequência grave para o planeta. Esquece o Mujica de entender que os alemães já há muito deslocaram seu padrão de consumo em que os serviços são itens valiosos para os alemães. Esquece o Mujica que o padrão trabalhista alemão está fundamentado na produtividade e que a redução da jornada do trabalho não é um artificio engendrado por sindicalistas. É da lógica do modelo: estão mais ricos e podem trabalhar menos. Diferentemente do Uruguai. Esta lá no capitalismo alemão a solução dos nossos problemas. Mas não se trata de copiar o padrão de consumo e nem talvez o padrão produtivo. Mas essencialmente de se compreender as instituições que respaldam o capitalismo alemão, americano, inglês, francês, sueco e de tantas outras nações desenvolvidas. Não é tão difícil. Quando se trata do Brasil, gosto de olhar para trás e me debruçar sobre o padrão Constitucional que vigorou de 1930 até 1964. Estaria naquele ordenamento jurídico do passado a saída para o futuro. No Uruguai não sei bem dizer. Mas sei que lá teve uma ditadura militar tão estúpida quanto a nossa.

Assim são os políticos. Nos tocam o coração, porque sabem identificar o que está errado. Nem sempre apontam o caminho certo. Mas apontam os problemas. Vale muito ver o discurso do Mujica, até porque poderemos ter noção do nosso primitivismo lógico.





http://youtu.be/PzSgreU1toA

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