As manifestações de 2015 – Estamos sem Rumo!

As lideranças dos movimentos de repulsa ao que estamos vivendo no Brasil de hoje podem ser classificadas, basicamente, em três vertentes. Na verdade, podemos dizer que se trata apenas de duas vertentes, embora exista a vertente amalucada da volta dos militares. Essa pra ter validade deveria contar com pelo menos um general da ativa, puxando o coro da volta dos militares. Até entendo que muitos embarquem nessa opção, porque, de fato, o que queremos é uma mudança total e esse milagre só pela força. O problema é a nossa triste experiência. Os revoltados se perpetuam no poder e para lá ficarem fazem concessões como  a ditadura do Estado Novo ou até mesmo aprofundam a crise, como foi a ditadura dos militares em 1964 que destruíram nosso ordenamento jurídico, impondo todo tipo de privilégios aos “empresários”, disseminando-se controle de preços, de cambio, de juros, de credito e de tudo o mais que agradasse a essa mesma corja que hoje estão no lava-jato e nos bueiros do Congresso ou do Supremo. No Executivo, todos sabemos da imoralidade pública!

As duas vertentes centrais são: Vem Pra Rua e Movimento Brasil Livre.Uma das vertente prega claramente o FORA DILMA e leve o PT junto. Pregam o Impeachment. A outra fala da corrupção e pelo que sei não prega o impeachment. O movimento Brasil livre se diz liberal e tem conotação partidária óbvia, com preferência pelo Aécio que de liberal certamente não tem nada. A outra, pelo contrario, abomina a participação partidária, porque todos sabemos que qualquer partido está dominado. Não são os partidos livres ou presos a uma ideologia . Hoje já não sabemos mais o que é ser de esquerda ou de direita. Interesses estranhos minam a reputação de partidos e de seus Deputados. De Senador não falo nada, porque certamente sendo o Senado Federal o fiel da balança no Legislativo, mantenho minha proposta singela pelo FIM DO SENADO. De qualquer forma, o fato certo é que estamos sem líderes. Pior. Estamos sem rumo!

Hoje em Brasília presenciei o embate mequetrefe entre os que pregam a volta dos milicos e o que pedem simplesmente FORA DILMA, FORA PT.  Enquanto um pregava a mesma palavra de Ordem - fora DILMA - o outro, ao mesmo tempo e ao mesmo som, clamava pela volta dos militares. Eu vaiei a volta dos militares. Quis vaiar a outra turma também, mas aí me contive, porque pelo menos apoio FORA PT. O  FORA DILMA é golpe e no momento esse golpe não me interessa. Sem apelar para o argumento da legalidade, vejo claro que o que vem substituir Dilma é infinitamente pior: PMDB. Dei falta da outra turma: a do movimento vem pra RUA. Para não deixar dúvida na minha posição, a declaro logo: repudio tanto a da volta dos milicos – conotação fascista – tanto quanto a do Movimento Brasil Livre, conotação de direita raivosa, servindo a interesses partidários. Assim, até onde me interessa, expresso apoio ao Movimento Vem pra Rua.

Estamos sem liderança política e certamente nenhum político vinculado a qualquer partido será bem vindo aos movimentos de rua, pelo menos ao movimento Vem pra Rua. Os partidos estão dominados. Assim o mais importante é que possamos eleger cidadãos sem a chancela dos partidos - projeto para  eleição a qualquer cargo público eletivo sem vínculo partidário obrigatório. A falta de rumo decorre, pois, da falta de um líder político verdadeiro. Um político que expresse de fato os anseios da população em geral, em sentimento de empatia legítimo. Estamos sem rumo, porque, além desse fator de liderança,  poucos dizem claramente quais são os problemas fulcrais do Brasil. Sim , o problema do Brasil hoje são os políticos. Eles aprovam o que querem, sempre olhando apenas algum interesse estranho, como a tal da terceirização. Sim, isso todos sabemos. Além da mudança politica, temos muito mais para buscar em favor da população em geral e obviamente para mim mesmo. O rumo é buscar um orçamento equilibrado de imediato,  sustentado numa verdadeira federação, com uma mudança total na legislação e na prática do legislativo e judiciário; cumplices do Executivo. Há de se enquadrar o parlamentar em primeiro lugar. Talvez a tese do Parlamentarismo seja uma opção nessa direção moralizadora. Depois há de se retirar os privilégios de magistrados, de funcionários públicos em geral e principalmente dos ricos que infestam o orçamento publico, os bancos públicos, e as instituições de regulação. As leis que garantem subsídios aos empresários tem que ser eliminadas. São leis seculares que só trouxeram concentração de riqueza e pobreza à população mais simples, como a da garantia de preços mínimos para os agricultores.  As leis que garantem sindicalização centralizada têm que ser eliminadas. O ninho das águias.  Pelo fim da CUT e da Central Única dos trabalhadores. As leis que garantem sindicatos de patrões têm que ser eliminadas também. Pelo fim da FIESP, da FEBRABAN, da Federação do Comércio e das Federações da Agricultura e da Agroindústria. O privilegio dos pobres tem que ser garantido parcialmente, porque sem uma economia livre - abertura imediata ao comercio internacional (tarifa linear de importação de apenas 10% sem exceção e fim do MERCOSUL)  - nada adiantará a educação de qualidade. Educação em tempo integral hoje para todas as crianças até os 17 anos é proposta urgente. A busca pelo conhecimento e não apenas a busca do aumento da produtividade. Ela é importante, mas não pode excluir a educação superior de entendimento de tudo que merece ser apreendido. A chave do progresso está na complexidade e não na simplicidade.  Obviamente, com a abertura da economia,  muitas multinacionais, principalmente a dos automóveis, vão ruir e já vão tarde.  O fim imediato das privatizações que são amparadas em contratos indecentes é outra medida urgente. As nossas contas de luz, os pedágios e até a conta de água ou  da internet, do telefone e tantas outras estão todas contaminadas por leis e arranjos que poucos sabemos. Mas sabemos que impactam o orçamento público e principalmente o familiar.  Se empresário brasileiro só sobrevive com benesses estatais, que morram. E rigor total em relação às apurações de corrupção. Para isso, Polícia Federal independente, inclusive dos interesses cartoriais dos próprios policiais. Tem muito mais. Mas temos que nos concentrar no básico.


O básico é por ordem no governo central, estadual e municipal. Na economia é por pra correr os empresários que pedem privilégios e são, de fato, simples comerciantes ou investidores, sem nenhuma preocupação com a melhoria de todos. Empresário é o que sabe resolver problemas. Difícil encontrar um por aqui nesse Brasil sem complexidade. Para isso, é importante abertura imediata da economia e fim da politica amalucada do Banco Central - eliminação da dívida pública de imediato e fim do controle de preços e juros, com o fim concomitante dos carteis dos bancos. Fim do BNDES - só tem sentido se a economia estiver não privatizada. Mas para isso, basta a Caixa Econômica Federal. Fim do Banco do Brasil também. Temos que lembrar sempre. Se politico não consegue arrumar emprego para si mesmo no mercado privado,  por que arrumaria para os outros enquanto político? Como sintetizar tudo isso? Não sou líder político!




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