Há luz no fim do túnel ?

Dependendo da perspectiva, a luz pode ser de um trem em alta velocidade, vindo em nossa direção. Não me interessa aqui discutir o “problema central” do nosso país. Todos o resumem muito bem: corrupção, pilhagem, o modelo do compadrio, etc. Já está mais do que claro que o “problema” é político. É político no sentido mais amplo e paradoxal que possa parecer. Está na política a saída e o problema. Todos vemos que os políticos e a política são corruptos e se encontram na corrupção escancarada – generalizando, porque a chance de errar é muito baixa. Para piorar, as desculpas para o encaminhamento da solução do “problema” veiculadas na mídia quase todas têm uma conotação clara de leniência. A primeira e mais descarada foi a do Lula, quando da descoberta do mensalão: sentado numa cadeira imperial na embaixada da França, proclamava que a pratica do mensalão seria coisa normal. O sinal da leniência e desordem legal já tinha sido emitido anteriormente em promessa pública de o Presidente eleito não apurar corrupção no governo FHC, seu antecessor. Evidentemente, a fala e a promessa  teriam que ser contestadas pelas Autoridades Públicas e pela população de forma contundente, com a tese óbvia de obstrução da justiça. Não foi.

É na busca de respostas para esse imobilismo que imagino possamos encontrar a solução do nosso “problema” que é política. Mas como encaminhar uma solução política, se os partidos políticos no Brasil são uma massa amorfa ? De fato, não há diferença partidária. Todos os partidos trazem em sua cúpula o mesmo mal: seriam apenas gerentes do modelo, com estilos diferentes. Para deixar em corner o eleitor, sequer podemos contar com os partidos radicais, tipo PSTU. Todos são ponta-de-lança dos grupos hegemônicos                                        (http://chutandoalata.blogspot.com.br/2015/06/o-be-ba-do-capitalismo-de-compadrio.html). Não adianta um Tiririca ou um Romário crescerem na política. Serão barrados em sua trajetória vencedora. Até mesmo porque, ao crescerem politicamente, carregaram, na esteira do voto de legenda, dezenas de políticos de má-fama que fecharão as portas às mudanças, em voto colegiado e orquestrado pelos maestros profissionais. Tudo que fizermos através da política não logrará êxito. Eles, os gestores do poder, os políticos envolvidos em mensalões e petrolhões, estancarão nossos esforços políticos para um país melhor.

Se chegarmos ao consenso de que na politica está a saída e o problema, a pergunta relevante seria: como resolvê-lo, em busca de uma saída duradoura? A resposta natural seria a possibilidade de elegermos para as funções de Vereador, Deputado, Senador e até mesmo Presidente da República qualquer cidadão fora do círculo partidário. Outra possibilidade seria a mudança das regras do funcionamento dos partidos. Mas essa alternativa só seria viável se partisse de instância distinta do Legislativo. O TSE talvez seja uma possibilidade. Todos sabemos ou intuímos que é urgente a participação maciça de pessoas honradas e comuns na política. Os corruptos e os esquemas cartoriais no processo partidário devem ser destruídos.

Mas a estória não deve parar por aí. Conseguida a enxada política, resta-nos o dever cívico de montar instituições que existam de fato para a maioria da população. Como fazê-las é tarefa que não tem fim. Mas a condição necessária para que funcionem está no envolvimento direto da população em seus problemas. As instituições podem até ser boladas de cima para baixo. Mas seu funcionamento NÃO. Cada cidadão tem o direito e obrigação de lutar para uma sociedade sonhada, sem correr o risco de que uma minoria se apodere do direito de decidir e vigiar as próprias instituições. Seriam regras de funcionamento de instituições já consagradas e testadas por sociedades desenvolvidas, como as da Europa ou dos Estados Unidos  ou Canadá ou até mesmo no Japão ou Singapura. Evidentemente, não as da Argentina ou da Venezuela.


A luz no fim do túnel não existe. Nós é que teremos que construiu um novo túnel. O velho e corrompido túnel está minado e de lá não pode ter brilho que não seja explosivo! Que coloquemos nos trilhos os nossos bondes e velhos trens. Mas que andem para frente com o nosso suor!   


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