Black Block: muito mais do que anarquismo.

Não pretendo fazer relato sociológico completo  sobre os black blocks – a Wikipédia o faz com propriedade para uma primeira leitura. Pretendo entender os canais pelos quais esse movimento se expande e se consolida. O ponto central é a facilidade às causas ocultas, mas sabida por todos, que o grupo black block propiciam. Sem duvida uma boa razão para que tal movimento se alastre mundo afora. Então esse é o problema com esse grupo baderneiro: a porta de entrada dos nossos algozes.

Black Block significa essencialmente um movimento anárquico com uma tática de ação definida no bojo das manifestações populares: a destruição preferencial de  propriedade privada simbólicas. Dependendo do local e circunstancia seus alvos são emblemáticos. Pode ser McDonald’s . No Brasil, os escritórios objeto de vandalismo são preferencialmente os bancos. Além disso, os participantes desse movimento geralmente usam máscaras; mas isso não é necessário. A prática destrutiva ou violenta é que , para a população em geral, caracteriza de forma genérica esses indivíduos ou grupos como black block.

Mas a quem interessa essa prática violenta? Para os black blocks originais seria apenas uma luta política, em nome de um sistema anárquico com idealização de um mundo plenamente liberto das amarras sociais castradoras. Dessa forma, a luta não teria uma causa definida. O problema é que o “inimigo” pode se infiltrar e despertar a mesma revolta em companhia de agitadores anárquicos. O custo é baixo e pode ser até zero, se os verdadeiros black block estão fazendo o serviço de livre e espontânea vontade.

Quando o uso de máscaras se faz presente, fica difícil associar grupos e tudo cai no rótulo black block. Mas quando não se faz, os grupos são facilmente identificados e a ira popular facilmente se estende a esses grupos. 

Dois exemplos didáticos me vem a mente: o do passe livre e o que aconteceu recentemente em Colônia, na Alemanha. No movimento passe livre, pudemos presenciar ações violentas contra um policial a paisana, onde expressões típicas de certos grupos sinalizou o envolvimento de movimentos de periferia, associado a criminalidade comum, em execução de policiais. Mas por que tais grupos estariam no movimento passe livre? Esse da periferia poderia muito bem estar prestando serviço criminoso a quem estivesse interessado no fracasso do movimento. Poderia ser coisa de grupos envolvidos com a prefeitura. Poderia ser os donos das companhias de transporte público a financiar bandidagem reles. A lista de mandantes não seria extensa. Fácil alcançá-la.

No caso da Colônia, não houve máscara. Os baderneiros queriam ser identificados como os novos imigrantes. A razão bem simples: naufragar o processo de imigração dos cidadãos comuns, trazendo instabilidade politica à região. Poderia, pois, ser uma tática do Estado Islâmico em sua estratégia maluca de tudo destruir, principalmente os símbolos sagrados. O ponto certo é que a população alemã aumentou em muito sua rejeição aos imigrantes. A sua integração à comunidade local poderá ficar comprometida por décadas. Pior, um block black às avessas poderá surgir, em nome da pseudo segurança.

Só uma forma de atenuar esse efeito perverso: punir os verdadeiros mandantes. Quanto aos malucos libertários do black block, punição individual. Não é fácil vivenciar uma democracia. Os inimigos a sabotam rotineiramente. Podemos até marchar lado a lado com eles. Vai saber? Só na hora em que o pau cantar.


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