O defunto sempre esteve a venda.

Todos sabemos que o impeachment é eminentemente um processo politico. Tem, todavia, um adendo de legalidade: crime de responsabilidade. Roubar cinco ou cinquenta ou cinco mil ou mesmo milhões ou bilhões de Reais é crime. Basta uma Elba para caracterizar a responsabilidade criminal. Collor foi menos imaturo, mesmo tendo fama idêntica de alucinado. Pegou o boné o mais rápido que pode e conseguiu fazer do crime da Elba realmente coisa ínfima. O tempo logo passou e logo foi esquecido. Ressurgiu das cinzas, porque, de fato, tem talento politico aos moldes da politicagem presente. Foi assim também com Nixon e quase chegou a ser assim com Bil Gates que só escapou, porque não mentiu: não fez sexo com a secretaria. Lá nos EUA, sexo tem que ter penetração. Outras artimanhas libidinosas , no  padrão americano, não estão nessa categoria sexo papai e mamãe. Crime que o acusaram, pois não se tratava da mamãe. E sim da secretaria.  Safou-se , porque foi malandro duas vezes.

Quem não sabe que, em teatro politico, pouca importa o crime e basta uma Elba para ser condenado ou impichado ?  Acredito que só a Dilma. Essa pantomima tupiniquim agora se encerra. A solista, ressurgindo das cinzas, deu as caras nas ultimas horas e trouxe a clareza de sua defesa:  mesmo descumprindo a Constituição, a Lei orçamentaria lhe apoiaria. Uma tese que nem sequer foi comentada. Talvez por estratégia oculta ou mesmo por contradição aparente entre Lei maior e Lei menor. Não sei dizer muito sobre isso e nem sei se seria essencial. A solista já a apresentaram morta. Mas os coristas cumpriram a risca suas narrativas de mascates reles, aproveitando a teimosia do defunto. Levaram a exaustão a dramaticidade politica, principalmente aqueles que estão na lona envolvidos com a justiça. Políticos denunciados ou delatados, em posição de defesa ou ataque, pregavam sermões de moralidade e legalidade.  Em dialética politica impenetrável, a turma da defesa criou a tese do golpe. Mas em democracia, boa ou má, a tese do golpe só vinga se derrubarem a legalidade. Não foi o que presenciamos e o próprio defunto ressuscitado não percebeu que a aparição em seu dia de Juízo final pôs por terra tese descabida.


Hoje, 31 de agosto, ela sumiu de vez do palco politico. Os coristas ainda continuarão em sua narrativa, alimentando-se da mídia e das redes sociais. Pasto de mensagens e noticias maçantes. O triste é que nada mudará. Se às ruas a turba não voltar, terei certo que perdi meu tempo em passeatas aleatórias. Pior do que isso: fui usado. O meu cartaz de Fora Cunha ainda ficará onde está há meses: no porta-malas do meu carro.  Um defunto se foi. O outro se faz naturalmente de morto e dá tempo ao tempo. O fedor ainda exala.



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