SOS Previdência! SOS Bacharéis

Não há dúvida de que previdência é e sempre será um tema urgente. Nessa discussão previdenciária é óbvia a questão de privilégios. Assim toda e qualquer discussão sobre arranjos na previdência teria que partir desse ponto: todos merecem tratamento igual e se alguma diferenciação for necessária que seja pra proteger pobres e jamais ricos. Nessa contabilidade chinfrim da previdência, em previsões estapafúrdias,  esquecem de colocar a previsão da taxa de crescimento do PIB e tudo se passa como se fossemos viver no mesmo patamar de corrupção e pobreza. Nenhum cenário otimista de crescimento nos apresentam. Se assim for, melhor não fazer nada.

Colocam ainda na contabilidade precária da previdência o seu impacto sobre o orçamento federal e marotamente, respaldados pela emenda constitucional do teto dos gastos, excluem dessa contabilidade o pagamento dos juros; o da amortização nem comento, porque muitos já acham normal que a dívida seja eternamente rolada. Isso na cabeça dos financistas brasileiros não seria calote; para mim, é corrupção escancarada! 

Dentre tantas coisas esquisitas sobre o debate da situação da nossa Previdência Social, o professor José Camargo em seu artigo SOS Previdência no Estadão, nos brindou com mais uma defesa da reforma da previdência, no mínimo caricata.  Fala ele de que sem acertos na previdência teremos problemas graves. Coloca que a emenda constitucional que criou o teto do gasto público foi uma medida acertada, porque estaríamos caminhando para uma hiperinflação ou para o calote da dívida pública como se deu em décadas passadas. Primeiro, não há nenhum registro básico que nem de perto e muito menos de longe indicasse que estivéssemos caminhando para a hiperinflação nesses últimos anos. Segundo, o "calote" da dívida pública dos anos 80 foi apenas em relação aos credores externos e não tem nada que ver com o problema da dívida pública interna. Que se diga de passagem, nem calote foi.  Pagamos a dívida em demorada negociação. Quanto à dívida pública interna brasileira ninguém levou ainda calote algum; sempre foi honrada. Hoje a questão da dívida pública crítica diz respeito apenas à dívida interna. O que de fato a emenda constitucional do teto dos gastos estabeleceu foi a eleição dos perdedores na solução do imbróglio orçamentário. Basicamente, deixaram de fora os rentistas e colocaram na roda a patuleia desprotegida. Eles que se matem , novos e velhos, em solução ao problema criado pela emenda constitucional do teto dos gastos.

É notória a manutenção do status quo vigente pela defesa de acertos pontuais, talvez necessários, na lei previdenciária. Estão no flanco do governo a grande maioria dos economistas articulistas e em sua quase totalidade os economistas burocratas de plantão. Trata-se de uma contabilidade dirigida do déficit previdenciário, elegendo os perdedores de sempre a pagar a corrupção escancarada e os privilégios dos mesmos. Para a turba da previdência  do INSS os direitos podem ser suprimidos em nome de uma expectativa de direito. Mas para a turma privilegiada dos funcionários públicos que ainda não se aposentou a expectativa do direito é direito certo e líquido.

Hoje, chego a triste conclusão: os economistas gestores da coisa pública aliados aos articulistas em prontidão à defesa das politicas pontuais ,  em óbvio sinal da paz para a conquista de um  cargo no escalão ministerial,  não têm ética. Nem lhes interessa essa discussão. O pragmatismo venceu. O início do ingresso dessa turba amoral no serviços público se deu basicamente no governo JK ( o primeiro governante a detonar o sistema previdenciário vigente e a esculhambar o orçamento público em clara opção politica de desprezo às restrições orçamentárias e aos direitos básicos da população) , empurrando os bacharéis , aos poucos, para fora da gestão do orçamento publico. Saiu a ética e entrou em cena o  pragmatismo vendido.




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